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Gustavo Juchem destaca sucessão, inovação e segurança jurídica como pilares da advocacia empresarial moderna

Sócio-administrador da Juchem Advocacia fala sobre os desafios da transformação digital, planejamento sucessório, reforma tributária e a construção de um escritório que atravessa gerações mantendo a confiança como principal patrimônio.

Há escritórios cuja história se confunde com a própria trajetória da advocacia empresarial no Rio Grande do Sul. É o caso da Juchem Advocacia, banca fundada em 1970 e que, mais de cinco décadas depois, segue consolidando sua atuação no mercado jurídico sob a liderança de Gustavo Juchem, representante da segunda geração da família à frente do negócio.

Em entrevista ao programa Em Evidência na TV, Gustavo compartilhou reflexões sobre a evolução da advocacia, os desafios impostos pela tecnologia, a importância da prevenção jurídica e os impactos das transformações econômicas e regulatórias no ambiente empresarial brasileiro.

Uma trajetória construída sobre confiança e reputação

Com 56 anos de atuação ininterrupta, a Juchem Advocacia figura entre os escritórios mais tradicionais ainda em atividade no Rio Grande do Sul. Para Gustavo Juchem, a longevidade da banca está diretamente ligada à confiança construída ao longo de décadas de relacionamento com clientes, parceiros e colaboradores.

Filho do fundador Sergio Roberto Juchem, ele ingressou no escritório em 1989, ainda como auxiliar de serviços jurídicos, acompanhando desde cedo a rotina da advocacia. Em 2021, assumiu oficialmente a liderança da sociedade, dando continuidade a um legado familiar que atravessa gerações.

Segundo ele, alguns valores permanecem inalterados desde a fundação do escritório: compromisso com as pessoas, ética, excelência técnica, atualização constante e inovação responsável.

“Buscamos sempre inovar e propor soluções novas, mas sem colocar em risco a segurança jurídica dos clientes”, destaca.

Reconhecimento além da advocacia

Nos últimos anos, Gustavo Juchem recebeu importantes homenagens por sua atuação profissional e institucional. Em 2024, foi agraciado com a Comenda Porto do Sol, concedida pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Já em 2025, recebeu da OAB/RS a Comenda Oswaldo Vergara, uma das maiores distinções da advocacia gaúcha.

Para ele, os reconhecimentos refletem uma trajetória marcada pelo envolvimento em entidades representativas, organizações sociais e instituições da sociedade civil.

Ao longo dos anos, participou da diretoria da Satergs, exerceu cargos de liderança na OAB/RS, integrou a Caixa de Assistência dos Advogados, atuou no Sport Club Internacional, na Associação Leopoldina Juvenil e, atualmente, preside a Fundação Tênis, entidade voltada ao desenvolvimento de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Da máquina de escrever à inteligência digital

Poucas gerações de advogados vivenciaram uma transformação tão profunda quanto a observada nas últimas décadas. Gustavo iniciou sua carreira quando os processos eram físicos, as comunicações dependiam de papel e os computadores ainda eram uma novidade.

Hoje, a realidade é completamente diferente.

A digitalização trouxe ganhos significativos de produtividade, ampliou o alcance dos escritórios e reduziu barreiras geográficas. No entanto, também criou novos desafios relacionados à segurança da informação, à gestão de dados e à adaptação constante às plataformas eletrônicas do Poder Judiciário.

Segundo ele, os investimentos em tecnologia passaram a ocupar posição estratégica dentro dos escritórios, ficando atrás apenas dos investimentos em pessoas.

“Vivemos em um ambiente cada vez mais vulnerável a ataques cibernéticos, vazamentos de dados e golpes digitais. A proteção da informação tornou-se uma prioridade permanente”, observa.

Segurança jurídica começa antes do conflito

Entre as principais mudanças observadas por Gustavo Juchem está a crescente valorização da advocacia preventiva.

Se no passado o advogado era procurado apenas após o surgimento de conflitos, hoje empresas e famílias buscam cada vez mais orientação para evitar problemas futuros.

Questões como compliance, proteção de dados, governança corporativa, planejamento sucessório e proteção patrimonial ganharam protagonismo na agenda empresarial.

Na avaliação do advogado, prevenir riscos significa proteger valor, reduzir custos e preservar a continuidade dos negócios.

“O melhor litígio é aquele que não acontece”, resume.

Dentro dessa lógica, o planejamento sucessório tem assumido papel fundamental, especialmente em empresas familiares, onde a ausência de organização pode gerar disputas longas, desgastantes e economicamente prejudiciais.

Reforma tributária exige atenção redobrada das empresas

Outro tema que domina a pauta do escritório é a transição da reforma tributária, considerada uma das maiores mudanças estruturais do sistema fiscal brasileiro nas últimas décadas.

Para Gustavo Juchem, o momento exige atenção e preparação das empresas.

A adaptação ao novo modelo tributário demandará revisão de processos internos, reestruturação de práticas contábeis e atualização das estratégias de planejamento patrimonial e sucessório.

Além disso, a ampliação da capacidade de fiscalização por parte da Receita Federal deverá elevar os níveis de exigência em relação à conformidade fiscal e documental das organizações.

Desafios trabalhistas e novas formas de trabalho

Na área trabalhista, Gustavo acompanha com atenção temas que devem impactar significativamente o ambiente corporativo nos próximos anos.

Entre eles estão os debates sobre pejotização, uberização das relações de trabalho e possíveis mudanças envolvendo a jornada 6×1.

Para o advogado, trata-se de discussões complexas, que exigem equilíbrio entre os interesses de trabalhadores, empregadores, investidores e consumidores.

Nesse contexto, a segurança jurídica continua sendo um dos principais fatores para a estabilidade econômica e o desenvolvimento dos negócios.

O futuro construído pela adaptação

Ao olhar para o futuro, Gustavo Juchem acredita que a advocacia continuará passando por profundas transformações tecnológicas, regulatórias e comportamentais.

Entretanto, ele defende que alguns princípios permanecem imutáveis: ética, confiança, conhecimento técnico e compromisso com as pessoas.

São esses valores que, segundo ele, explicam a permanência da Juchem Advocacia ao longo de mais de meio século de história e que continuarão orientando o escritório nas próximas décadas.

Enquanto o mercado jurídico se reinventa, a banca gaúcha segue apostando em uma combinação de tradição, inovação e responsabilidade para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e conectado.

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