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16/05/2021

A poeira de hoje bem pode  ser o monturo de amanhã. A fagulha de agora, um fogaréu devastador logo ali adiante. O pequeno deixa pra lá, a prostração por completo. O descaso, a dor da saudade. O silêncio, a fissura da alma. Aquele gole a mais, a terrível prisão da dependência. "E qualquer desatenção, faça não. Pode ser a gota d'água (Chico Buarque)." O abraço de menos, a solidão de ali na esquina. O tchau amoroso que faltou, a culpa pela ausência.

Não por acaso vivemos sob uma pilha de leis, conjunto de boas regras, mas não de boas condutas. Engraçado,né? Falta-nos um pouco da ética de Santo Agostinho, da reta escolha das coisas a serem amadas. Não respeitamos o que não amamos. Podemos ser bons cumpridores de uma ética burocrática e cartorial, contratualista, pela necessidade de um “pacto social” (Jean-Jacques Rousseau). Parar no sinal vermelho em plena madrugada, com as ruas desertas não é espontâneo. Para-se mais pelo medo da multa do que o risco de causar dano a alguém.

A questão é que não tá legal, na expressão popular do termo. Não tá rolando. O que eu tenho a ver se meu vizinho casou-se com o outro vizinho? Me interessa sim é se ele descarta o lixo na frente da minha casa. Seja ele Juvenal ou Percival. Dessas fagulhas de preconceito que se forma a fogueira das bruxas, ressuscitando a Idade Média, em pleno século 21. A Lua, esse pandeiro prateado quando cheia, daqui a pouco será o nosso quintal. Até já falamos usando um relógio pra isso, feitos uns 007. Tem aí uma tal de Alexa que só falta fazer arroz (por enquanto), mas a receita ela já sabe.

Esse mesmo sapiens, que brinca com essas engenhocas eletrônicas, porém, é incapaz de separar o lixo, lavar a embalagem vazia de leite que alguém logo ali vai manipular como matéria prima de trabalho e sustento. O mesmo sapiens que precisa de uma campanha do agasalho pra lembrar que é preciso compartilhar o muito que temos com quem pouco tem. Campanhas de arrecadação de alimentos pra lembrar que há quem passe fome.

E assim, de pecadinhos em pecadinhos, somos esse sapiens que se ajoelha diante do Senhor e pede: "Perdoai os nossos pecados..." No dia seguinte, de novo prostrados, o mesmo pedido: "Pai, perdoai os nossos pecados". Pai, perdoai-nos!!! O historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de "Sapiens", livro recomendado por gente como os bilionários Bill Gates e Mark Zuckerberg e o ex-presidente dos EUA Barack Obama entre outros, aconselha que nunca subestimemos a estupidez humana. Segundo ele, um novo sapiens está na boca do túnel, pronto para entrar em campo, um combinado de orgânico com biônico. Mas calma, nem os tataranetos dos nossos tataranetos estarão aqui pra viver isso.

Por ora, sigamos disparando pequenas fagulhas. Evolução é isso. Lenta e dolorosa, pelo menos para quem começa a tomar consciência. Até lá, seguiremos comendo animais, andando a cavalo e jogando pedra na Geni...

LUIZ FERNANDO AQUINO
Secretário adjunto de Governança e
Comunicação Social da Prefeitura de Gravataí

 
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