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06/08/2019

Em  audiência pública da Comissão Especial de Integração do Transporte Metropolitano, realizada na tarde desta segunda-feira (5), o doutor em Engenharia de Transportes e professor da Escola Politécnica da USP, Gabriel Feriancic, falou sobre recomendações e desafios técnicos para o futuro da mobilidade no Brasil. A atividade foi proposta pelo presidente da Comissão Especial, deputado Sebastião Melo (MDB), e conduzida pelo coordenador do Pacto Alegre, Luiz Carlos Silva Filho.

Melo falou do trabalho que vem sendo realizado na Comissão Especial, que ainda tem mais um mês de funcionamento. Segundo o parlamentar, as reuniões, audiências públicas e visitas técnicas já realizadas mostraram a necessidade de ter um consórcio público que trate do tema da integração do transporte metropolitano e da criação de um Fundo de Mobilidade Urbana. Ele informou também que o relatório final do órgão técnico será entregue ao governador Eduardo Leite.

Desafios da gestão integrada
O doutor em Engenharia de Transportes e professor da Escola Politécnica da USP, Gabriel Feriancic, disse que, a partir de sua experiência profissional e acadêmica, iria apresentar algumas provocações para o público presente. Começou destacando que um dos principais desafios de uma gestão integrada do transporte metropolitano é que os municípios abram mão de um espaço político. "É necessário que esses municípios tenham a consciência de que não vai haver qualificação desse serviço sem que se perca alguma autonomia local", explicou.

Feriancic defendeu que o primeiro ponto a ser tratado nessa gestão integrada é o planejamento para que o transporte chegue onde é necessário, evitando ônibus superlotados ou vazios em determinadas linhas e horários, por exemplo.

Sobre a tarifa integrada, lembrou que as distâncias dentro dos próprios municípios estão cada vez maiores, já que as pessoas moram, muitas vezes, moram em um local e trabalham em outro mais distante. Citou que São Paulo, a exemplo do que já fez Curitiba há décadas, mudou seu plano diretor e esse debate também vem ocorrendo em Belo Horizonte. Informou ainda que, na maioria das regiões metropolitanas brasileiras, não se optou por uma tarifa única, mas sim por uma que é crescente de acordo com a distância percorrida.

O palestrante também abordou a questão tecnológica. "Em muitas capitais já se consegue achar um patinete pelo celular, mas não se sabe onde o ônibus está e quanto tempo vai demorar para chegar em determinada parada", afirmou. Citou a experiência do Rio de Janeiro em bilhetagem eletrônica, em que cada empresa de transporte criou um cartão diferente, como um exemplo a não ser seguido. "A tecnologia é uma ferramenta que pode ser usada positivamente, mas também pode ser utilizada para criar uma defesa de mercado", explicou.

Por fim, o professor defendeu que a solução para a integração do transporte metropolitano de Porto Alegre seja construída conjuntamente pelo governo do Estado e pelos municípios integrantes, a exemplo do que já aconteceu em Recife (PB) e Goiânia (GO). Ele ainda respondeu questões do público envolvendo marco regulatório do transporte metropolitano, subsídios e gratuidades tarifárias, entre outras.

Letícia Rodrigues - Foto: Luiz Morem

 
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